domingo, 26 de abril de 2015

Passeio de domingo (243)


Em domingos pouco compatíveis com passeios, resta-me procurar nos arquivos imagens de outros dias. Hoje calha assim e, por isso, recupero esta breve passagem pela praia da Galé.





sábado, 25 de abril de 2015

Certezas

Desciam uma rua estreita, em Alfama. Ele queixava-se ao amigo. Que não conseguia viver assim. Amava aquela mulher mas não se entendiam nos feitios. Nem nos temas de conversa. Ele não dava importância ao que a ela importava. Coisas fúteis, dizia. Não vemos as coisas do mesmo modo, é o que é. Não sei qual de nós está certo. O certo é que assim não dá. 


Flor do dia


quarta-feira, 22 de abril de 2015

Ainda há estrelas no céu

De alguidar apoiado na anca, dirijo-me para as traseiras da casa, onde tenho o telheiro sob o qual costumo estender a roupa. Bastam-me alguns passos para me acostumar ao escuro. Olho para o céu. Hoje há muitas estrelas visíveis e, para além das maiores, das mais cintilantes, consigo ver uma espécie de poeira fina e dourada. É como um véu de pontos minúsculos, bordados na noite. Deve ser o rasto do cometa Tatcher de que falava o homem da rádio quando eu regressava do trabalho. Parece que a partir da uma hora da manhã se vai intensificar a chuva de meteoros. Até ficava cá fora, de pescoço esticado, a olhar para o alto, à espera de ver as estrelas cadentes mas a minha música do Vitinho já vai soando e o toque do despertador, amanhã cedo, não terá contemplações.

terça-feira, 21 de abril de 2015

Calçado

Voltei a ver o homem das crocs azul turquesa. Agora usa all stars amarelos.

Memória

Digo que sim por vergonha mas, na verdade, não me lembro. Ela foi minha colega na escola, eu sei. Só que, quando recorda que éramos da mesma turma, não consigo visualizar esse quadro. Do mesmo modo, espanta-me quando refere as visitas que me fazia no meu local de trabalho, no tempo em que éramos estudantes universitárias. Deve ter sido assim mas o facto é que não tenho memória disso.


Ando a acumular muitos episódios destes para o meu gosto. Inquieto-me.

Pinta-amores

Os pinta-amores estão a dar-se muito bem na morada ali ao lado. O seu número vai crescendo, como vai crescendo o número de contribuidores que se têm interessado pelo projeto e têm colaborado ativamente, captando e enviando mensagens e declarações de amor, pintadas nas mais diversas formas e feitios.  


A todos, agradeço.

domingo, 19 de abril de 2015

Passeio de domingo (242)


Passeio junto à lagoa dos Salgados, no lado da praia Grande, já no concelho de Silves. Este também é um déjà vu que nunca me cansa.








quinta-feira, 16 de abril de 2015

Aos lores

Tal como há dias em que perco palavras, outros há em que as reencontro. São reencontros inesperados que me surpreendem. Umas vezes por ouvir dizer, outras simplesmente por me lembrar. Assim. Do nada. Ou por muito pouco. E hoje lembrei-me. Tudo porque o carro que seguia à minha frente andou, por alguns metros, aos lores. Em segundos, a expressão atravessou-me o pensamento e depois ficou martelando agradavelmente na minha memória. Gosto da riqueza dos regionalismos. Orgulho-me do falar algarvio.


[Aos lores significa aos ziguezagues, serpenteando]

O patrão

Também quero um patrão assim.

terça-feira, 14 de abril de 2015

Os corações de Yves

Para quem anda a colecionar “pinta-amores”, saber que há um artista plástico que se dedica a pintar corações pelas paredes de São Miguel, nos Açores, dá vontade de ir já a correr, apanhar um avião para fotografar os 278 murais que Yves Decoster criou. E parece que pretende chegar aos 365 ou seja, um coração por dia.


À falta da viagem, resta partilhar esta história. Aqui e nos “Pinta-amores”.

Foto daqui

domingo, 12 de abril de 2015

Passeio de domingo (241)


Um passeio que repito com frequência mas que me parece sempre diferente. Trilho de São Lourenço, na Quinta do Lago, em plena Ria Formosa.








domingo, 29 de março de 2015

Passeio de domingo (240)


Um passeio agendado previamente, na cor lilás – de acordo com o espírito da semana que se inicia – para ficar por aqui em tempo de pausa pascal.








quinta-feira, 26 de março de 2015

Rosa


Despiu-se sem pudor, deixando-se cair aos poucos sobre a mesa. Percebia-se que era uma rosa com as emoções à flor da pétala.

terça-feira, 24 de março de 2015

As flores

Apetece-me parar o carro na beira da estrada só para ver de perto as flores que crescem onde bem lhes apetece. Umas, solitárias no meio do verde. Outras em grupo, muito juntas, como quem tem segredos a partilhar. E há ainda aquelas que se espalham pela berma como quem forma barreira e marca território.

Apetece-me parar mas a hora de entrada no trabalho está de vigia, lá à frente. Espera por mim com ar de patroa, sobrancelha arqueada e mão na anca. Sem outro remédio, sigo viagem. O sol vai baixo. Brinca com a cor branca dos lírios, refulge no carmim das papoilas e ainda goza comigo forçando-me a baixar a pala do carro.

Um dia troco as voltas a isto e faço como as flores de beira de estrada. Fico onde bem me apetecer.


sábado, 21 de março de 2015

Poesia (3)

O ar                      passa

     A t r a v é s     d a s     p a l a v r a s


António Ramos Rosa (Declives, 1980)