terça-feira, 30 de junho de 2015

A lua

Não, não gostaria de ir à lua. Não me seduz a grande aventura. Sou cobarde demais para isso. Mas sempre que há lua cheia, fico a rondá-la, aqui de baixo. Gosto especialmente de a ver quando ainda não é noite cerrada e ela se desenha, clara, quase transparente na palidez do céu.  É a hora em que as aves, ainda ruidosas, se acomodam nos ramos do cipreste, ali junto ao portão da casa. Eu de cabeça no ar, olho para a lua e demoro-me, aproveitando a carícia da brisa fresca que passa.

domingo, 28 de junho de 2015

terça-feira, 23 de junho de 2015

Fim de tarde

A tarde chegava ao fim e Cecília observava a tonalidade rosa que o céu ia adquirindo à medida que o sol desaparecia no horizonte. Era bonito. Gostava de ver aquela declinação de cores, a transição do azul para cinza rosado, meio esfumado, para o lado nascente e o tom mais dourado, quase chama alaranjada, que chegava a ofuscar, a poente.

Cecília observava o fim de tarde, debruçada na janela. Vivia só. Já não tinha pai, nem mãe, nunca tivera filhos e já não os teria. Nem primos sequer. Cecília estava no fim da linha e, deu por si a pensar que, ao contrário do sol, que renasceria sempre no dia seguinte, ninguém estaria cá para continuá-la no dia seguinte ao seu derradeiro fim de tarde. 

domingo, 21 de junho de 2015

sábado, 20 de junho de 2015

Afinal, o que é isto dos blogues e porque gosto deles?

Simples. É por causa desta gente:

É quem conta histórias maravilhosamente. Como aqui.
É quem gere espaços com pessoas, palavras e opiniões plurais. Como aqui.
É quem nos mostra imagens e histórias com memórias. Como aqui.
É quem consegue parodiar os outros e a si próprio com imensa classe. Como aqui.
É quem tão bem reúne palavras, som e imagens. Como aqui.
É quem nos faz descobrir o seu mundo. Como aqui.
É uma senhora que repousa aos sábados de manhã. Como aqui.
É uma menina que está no outro lado da linha. Como aqui.
É quem escreve com sabedoria e distinção. Como aqui.
É quem se mostra de opiniões convictas mas também sabe ser divertido q.b. Como aqui. 
É quem fez parte das primeiras descobertas na blogosfera e de repente nos aparece ali, espreitando, como primeiro seguidor, impelindo-nos a continuar. Como aqui.
É quem seguimos sem saber quem é e acabamos por descobrir que conhecemos pessoalmente. Sem contar com os posts deliciosos com que nos brinda. Como aqui.

É isto e muito mais. É tudo o que se coleciona ali ao lado, ao virar da esquina.

domingo, 14 de junho de 2015

Passeio de domingo (250)


Passeio agendado previamente para domingo em trânsito. Aconteceu no meio da semana, na Falésia (Alfamar).








quarta-feira, 10 de junho de 2015

Dos segredos e da coscuvilhice

Ontem devo ter perdido algum tempo de vida. Durante a tarde, tive um episódio com uma colega que me deixou assaz irritada e não me foi possível partilhá-lo de imediato com as restantes colegas do setor. Fiquei remoendo o sucedido em silêncio, o tempo passou, chegou a hora da saída e tive que guardar a história só para mim. Agora que leio isto, percebo como a situação me prejudicou e já estou aqui a planear uma sessão terapêutica que me devolva o tempo perdido.

domingo, 7 de junho de 2015

terça-feira, 2 de junho de 2015

Estendal



Desdobrou o coração, sacudiu-lhe as mágoas que se tinham agarrado às pregas e estendeu-o ao vento. Quando o recolhesse, estaria como novo.

domingo, 31 de maio de 2015

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Post aberto a ti, blogger

Gosto de te visitar. Entro pela janela, como é costume por aqui. Entro sem bater. Por vezes apenas espreito para ver o que tens por aí exposto, à vista de quem passa. Outras vezes demoro-me e vou circulando pelas salas, observando e absorvendo o que há para ver, para ouvir e para ler. Por vezes, passo apenas silenciosa, sem deixar sinal de mim. Posso até deixar a minha impressão digital. Provavelmente dás por ela, aí no contador. Outras vezes resolvo mesmo deixar um bilhete. Tem dias. Espero que não te importes desta minha inconstância. Sou assim. Não me recrimines se nem sempre dialogo contigo ou com os teus outros visitantes. Não penses mal de mim. Não é falta de educação. Por vezes é só timidez. Ou cansaço. Um cansaço que me dá de mim mesma, um vazio que me assalta e me emudece.

terça-feira, 26 de maio de 2015

A andorinha

Há uma andorinha solitária que vem dormir todas as noites no rebordo da trave que segura o telheiro onde ponho a roupa a secar. É já noite, por vezes ainda lusco-fusco, quando vou estender a roupa. O sensor dá por mim e todo o espaço do telheiro se ilumina com a luz crua da lâmpada fluorescente. Já dorme, a andorinha. A luz parece não incomodá-la. Nem uma pena se move. Já a vejo há várias noites. Está sempre pousada no mesmo local da trave. Parece fazer uma escolha milimétrica daquele sítio. Não tem ali ninho. Não traz companhia. Só vem passar a noite. 

segunda-feira, 25 de maio de 2015

A pintura

Se eu soubesse, pintava. Pintava os campos ondulantes que vejo recortados suavemente no horizonte. Pintava-os na cor de oiro do pasto seco das forragens, com rolos gigantes de palha espalhados aqui e alinhados ali. Ao longe, pintava também uma carreira de círculos verdes, copas de árvores de geometria perfeita. E pintava ainda o céu, de azul pesado, acinzentado, de trovoada a chegar. Se soubesse, pintava até o cheiro da terra molhada por grossas pingas de uma chuva de maio, inesperada, desbragada, abafando poeiras. Se eu soubesse, pintava o voo planado da cegonha e o apressado do charneco. Pintava tudo isso e ademais pintava a estrada, negra de asfalto, linha reta rasgando a planície, engolida quilómetro a quilómetro pelas rodas do automóvel em que sigo viagem. 

domingo, 24 de maio de 2015

Passeio de domingo (247)


Desta vez, o domingo resolveu passear ao sábado. Cá está, por isso, o resultado do percurso de ontem, pelas sombras frondosas dos jardins da Gulbenkian, em Lisboa.