quarta-feira, 29 de julho de 2015

terça-feira, 28 de julho de 2015

Terça-feira

Resolvo juntar um dia de folga ao fim de semana. Mergulho no ambiente de férias dos visitantes à região. Praia, piscina, convívio, mojitos. Chega, porém a terça-feira e a dura realidade. Sou forçada a voltar ao trabalho, como simples nativa que ainda não está de férias no Algarve.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Derretida

O calor entranhou-se nas paredes da casa e passou para o interior transformando os quartos em estufas. Ligo o ar condicionado do quarto de hóspedes para fazer as camas com lençóis lavados. Enquanto os estico e prendo sob os colchões, soltam o aroma fresco do amaciador que conseguiram guardar entre as suas dobras, dentro do armário da roupa. Enquanto apronto o quarto, destilo. Derreto-me em grossas bagas de suor. O aparelho de ar condicionado ainda não teve tempo de arrefecer o ambiente e nem estando ligado na velocidade máxima consegue secar as gotas que deslizam por mim abaixo e ameaçam alagar o chão. Como numa enxurrada levam tudo à sua frente. Arrastam pelo corpo os restos do perfume aspergido pela manhã, as poeiras invisíveis que ao longo do dia se colaram à pele, as palavras que guardei para escrever um texto qualquer, as ideias acomodadas e à espera da sua oportunidade de vida, os bons e os maus pensamentos.  Levam tudo por mim abaixo num turbilhão líquido. Sou toda eu que elas levam, derretida neste calor insano. Temo que, daqui a pouco, depois de totalmente esparramada pelo chão da casa, comece um inexorável  processo de evaporação. 

segunda-feira, 20 de julho de 2015

domingo, 19 de julho de 2015

Passeio de domingo (255)


Passeio em límpida manhã, com cheiro a figueira e maresia, os pés em tépidas e claras águas e apanha de conquilha. Tudo na praia do Poço Velho (entre a Rocha Baixinha – também conhecida por Tomates – e a Falésia – Alfamar).








quinta-feira, 16 de julho de 2015

A vida é bela (87)

... em equilíbrio.


Ementa de sorrir, comer e chorar por mais

Portugal é um país de poetas. Isso é sabido. E também é um país de boa comida. Juntando estas duas características com uma pitada de humor consegue-se uma ementa assim, como esta que “roubei” de um amigo do Facebook. Nunca estive neste restaurante mas fiquei logo com uma vontade enorme de o experimentar.


terça-feira, 14 de julho de 2015

Calor

Às oito e meia da manhã chego a Faro. Viro à direita, de seguida viro à esquerda, sigo em frente até ao cruzamento onde o sinal de stop me faz parar e aguardar a passagem de um carro. Está calor. Na minha frente, passa o condutor que tem prioridade. É um homem, mais gordo que magro. Com a mão direita segura o volante. Com a mão esquerda abana um leque para refrescar o rosto.

Está calor, mas eu não alucinei. Eu vi. 

domingo, 12 de julho de 2015

Passeio de domingo (254)


Em dia de receber visitas em casa, o passeio limitou-se a atravessar a rua para chegar à horta.










quinta-feira, 9 de julho de 2015

A vida é bela (86)


...quando a brisa da tarde embala docemente o loendro.


Alívio

Com alguma frequência cruzo-me, na rua, com pessoas que falam sozinhas. É um alívio perceber que, afinal, não estou só. 

terça-feira, 7 de julho de 2015

Verão

São nove horas da noite e as cigarras não sossegam. Na torneira, a água fria sai quente. A prima D., de mangueira em punho, rega os canteiros sedentos. Os vizinhos sentam-se no poial, à beira da estrada, para apanhar a aragem que passa. Estão certos. Eu, da minha varanda, tento apanhá-la também. Abro os braços como se pudesse levantar voo, fecho os olhos e inspiro o aroma inebriante da trombeteira que já começa a fazer-se sentir.

sábado, 4 de julho de 2015

Jantar de milhos

Este fim de semana é de festa na aldeia. À volta da igreja expõem-se tradições, sobretudo gastronómicas. Assim, lá fui comer um “jantar de milhos”. E lembrei-me da Catarina, a Contempladora Ocidental, que para além de nos mostrar belas imagens do Canadá, onde vive, partilha também sabores. Lembrei-me dela e do post  sobre o milho. Por isso lhe dedico este jantar.  


terça-feira, 30 de junho de 2015

A lua

Não, não gostaria de ir à lua. Não me seduz a grande aventura. Sou cobarde demais para isso. Mas sempre que há lua cheia, fico a rondá-la, aqui de baixo. Gosto especialmente de a ver quando ainda não é noite cerrada e ela se desenha, clara, quase transparente na palidez do céu.  É a hora em que as aves, ainda ruidosas, se acomodam nos ramos do cipreste, ali junto ao portão da casa. Eu de cabeça no ar, olho para a lua e demoro-me, aproveitando a carícia da brisa fresca que passa.

domingo, 28 de junho de 2015

terça-feira, 23 de junho de 2015

Fim de tarde

A tarde chegava ao fim e Cecília observava a tonalidade rosa que o céu ia adquirindo à medida que o sol desaparecia no horizonte. Era bonito. Gostava de ver aquela declinação de cores, a transição do azul para cinza rosado, meio esfumado, para o lado nascente e o tom mais dourado, quase chama alaranjada, que chegava a ofuscar, a poente.

Cecília observava o fim de tarde, debruçada na janela. Vivia só. Já não tinha pai, nem mãe, nunca tivera filhos e já não os teria. Nem primos sequer. Cecília estava no fim da linha e, deu por si a pensar que, ao contrário do sol, que renasceria sempre no dia seguinte, ninguém estaria cá para continuá-la no dia seguinte ao seu derradeiro fim de tarde.