domingo, 1 de março de 2015

Passeio de domingo (236)


Para domingo em trânsito, calha um passeio agendado previamente. Este é a continuação do da semana passada, junto à antiga Estalagem da Cegonha, em Vilamoura.







domingo, 22 de fevereiro de 2015

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Devagar

Mais uma vez, Silvina saiu tarde do trabalho. Regressou a casa pelo caminho que habitualmente percorria, pensando que algo se estava a passar com ela. Se entrava mais cedo ao serviço e saía cada vez mais tarde, porque razão não estava a dar conta do trabalho que tinha para fazer? O pior era que em casa lhe sucedia o mesmo. Não conseguia tratar de tudo o que tinha por resolver. O que a incomodava era ter a perfeita noção de que antigamente conseguia fazer muito mais. Agora sentia-se lenta. Lenta a pensar. Lenta a agir. Desesperava-se por não ter mais aquele desembaraço que lhe era característico. Lembrava-se de como costumava ser sempre a primeira a concluir os trabalhos da escola; de como arrumava a casa em pouco tempo; de como era ágil em tudo o que fazia.

Silvina caminhava devagar questionando-se sobre as razões da mudança que sentia nela. Não era assim tão velha. Não se sentia doente. Até andava bem-disposta. Não percebia. Quase a chegar a casa pensou que talvez devesse ir ao médico e pedir para fazer uns exames de diagnóstico. Sim. Era isso que iria fazer. Ao menos para ficar descansada.

Tinha acabado de tomar a decisão quando chegou à porta do prédio. Abriu-a, entrou e chamou o elevador. Lá dentro, olhando-se no espelho que forrava o fundo do cubículo, viu refletida a imagem de um caracol.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Passeio de domingo (234)


Fim de tarde com as garças de Vilamoura, num passeio agendado previamente para um domingo em viagem.






sábado, 14 de fevereiro de 2015

Elisa e o amor

Era fevereiro e todos falavam de amor. Choviam ofertas especiais de restaurantes, de hotéis, de perfumes, de jóias de relógios, de chocolates, de toda a espécie de experiências únicas que se deveria adquirir e oferecer à alma gémea.

Elisa pensava que era tudo muito bonito mas não conseguia decidir sobre quem recairia a sua escolha para celebrar o dia dos namorados. Era mulher de muitos amores. Apaixonava-se sempre pelos galãs do cinema e das telenovelas. Com tanta variedade de romances a passar diariamente na TV, com tantos heróis garbosos, Elisa andava deveras baralhada. Ora lhe batia o coração pelo moreno alto da novela das duas, ora se derretia pelo louro de bigode da série das sete. O que desempenhava o papel principal na novela das nove também lhe dava volta à cabeça. Tinha olhos azuis e músculos à Tarzan. Elisa andava extremamente indecisa. Por quem deveria ela optar? Ainda sem decisão tomada resolveu, pelo sim, pelo não, preparar um jantar romântico que acabou por comer sozinha, à luz de velas.

Pobre Elisa, logo calhou de, precisamente no dia dos namorados, haver no bairro um corte de energia que deixou cega e muda a televisão.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Imagem d'escrita


"Imagem d’escrita", livro de poesia com fotografia, tem mais um encontro marcado com o público. A próxima apresentação será no sábado, dia 14 de Fevereiro, pelas 16h00, no café Macchiato, em Lisboa (Estrada de Benfica, 591-A).


Conto lá estar. 

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Encontro

Encontrei um gato. Foi de repente. Eu caminhava devagar por uma vereda. Ele vinha galgado descendo a encosta, do meu lado direito. Estacámos em simultâneo. Fixámo-nos mutuamente. Ele receoso de mim, indeciso quanto a dar meia-volta ou continuar em frente. Eu receosa de o afugentar com algum gesto brusco. Ficámos assim, parados, uns segundos. Depois disparei, uma, duas, três vezes. Ele manteve a pose. Continuou a olhar-me fixamente. Esperou que eu lhe virasse as costas para voltar à sua vida. O que pensará um gato nestas circunstâncias? Eu, agora, aqui às voltas com as fotografias, lembro-me do nosso breve encontro. Ele deve ter mais em que pensar.


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

O namoro

A tia Vitalina não via com bons olhos o namoro do filho mais velho com a filha da vizinha. Tudo melhorou quando se fez operar às cataratas.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

A vida é bela (76)

… no olho vivo de uma garça.


Blogues, pessoas e fotos

O Rui, do blogue Coisas da Fonte, costuma promover todo o tipo de passatempos e enigmas para os seus leitores desvendarem. Faz do seu espaço um salão onde todos conversam e ficam a “conhecer-se” melhor. Agora mesmo, tem a decorrer uma dessas iniciativas, cuja gestão lhe dá, por certo, uma trabalheira enorme.  Cada participante lhe enviou uma foto que, de algum modo, o representa. O objetivo é que cada leitor associe a foto ao respetivo autor.


Também lá está uma foto minha. Quem adivinha?

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Passeio de domingo (232)



O passeio de hoje andou por terras de Pedrógão Grande, Pedrógão Pequeno, Mosteiro, Barragem do Cabril...
Passo por aqui de corrida, já que agora, de Lisboa, há que seguir viagem e regressar ao Algarve.








sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Diáfana

Num banco do movimentado centro comercial, descansava, diáfana, uma frágil criatura. Os cabelos platina, muito longos e lisos tombavam sobre o assento e ajustavam-se-lhe como um véu. O rosto, pálido, quase transparente desenhava-se com finos e ténues traços. Ao passar por ela, estava tão translúcida que cheguei a questionar-me. Estaria a vê-la ou apenas a imaginá-la.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Dos amores e suas formas

Li hoje uma história maravilhosa. Há dezasseis anos, um britânico decidiu homenagear a mulher que acabava de morrer. Para isso, plantou seis mil carvalhos, desenhando com eles um prado em forma de coração. Esse coração gigante é hoje visível do céu e até por satélite.

Algures, no universo, uma mulher, o seu espírito ou o que seja em que queiramos acreditar, pode comprovar a força de um amor sem fim.


Para quem coleciona pinta-amores, esta é uma história incontornável.

Foto retirada daqui

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Sarjeta


Vi uma pequena flor, murcha e pisada. Estava entalada na grelha da sarjeta. Decapitada. Estava ali por um fio. Um fio de sol que a secasse sem volta, pois que chuva não ia cair. 

domingo, 25 de janeiro de 2015