sábado, 20 de dezembro de 2014

O embrulho

A senhora da loja dobra diligentemente o papel colorido sobre a caixa que contém o presente. Dobra um lado, dobra outro. Uma ponta solta-se, volta a dobrá-la. Solta-se mais uma ponta do outro lado. Consegue, por fim, selá-la com fita-cola. E mais um bocado de fita para colar melhor. Vira o embrulho e torna a dobrar. E torna a esticar o papel. Alisa-o com a mão, vinca-lhe a dobra na diagonal. E de novo tudo igual para que a ponta de papel que ainda falta dobrar se alinhe com a outra e, simetricamente, forme o fecho que ainda falta colar para acabar o embrulho. A senhora vai dobrando, vai colando e pega finalmente num laço já preparado que se encontra na caixinha, ali ao lado. Enquanto o endireita e escolhe o ponto mais adequado do pacote para o pregar, deixa que lhe saia um desabafo. No outro dia, só de ver aquelas meninas a fazerem os embrulhos no Jumbo estava cá a dar-me uns nervos. Só me apetecia ir lá meter as mãos.

E enquanto ela prossegue com a finalização do embrulho, colando as pontas do laçarote, eu concentro-me esforçadamente, para aquietar as minhas mãos escondidas nos bolsos.
 

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

As velhas

O Chico e a mulher, aquilo era uma vergonha. Andavam sempre à bulha. Até na loja, para quem quisesse ouvir as discussões. A loja faliu. Ah pois. E eles separaram-se. Agora ele vai sempre comer ao restaurante do primo. Mas ele tinha fortuna? Não. Quem tinha era a família da mulher. Já há muito que não vejo o Chico. Ele esteve mal. Cortaram-lhe os dedos dos pés. É diabético. A minha filha trabalhou lá na loja durante uns vinte anos. Depois faliu e ela não teve direito a nada. Agora há uns quatro anos que está ali. Não é por ser minha filha mas quando para lá foi deu cá uma volta àquilo. A que lá estava, ao tempo, não fazia nada. Anos e anos com mercadoria acumulada. Pouco tempo depois de para lá ira a minha filha, entrava-se e nem parecia a mesma loja. Achas que ela ganha mais por isso? Não. Mas é do feitio dela. Pronto. Isto está bom é para os gatunos. Como aqueles que governam isto. Quem é honesto não leva nada. Isto está bom é para ladrões. Olha, como aquela do lenço. A dizer que conhecia a mulher, que era vizinha dela e a arrebanhar o lenço. Que lho entregava. Acreditas? Ah mas se ela aqui voltasse, eu dizia-lhe. Mas sabes quem é? Eu não. Mas reconhecia-a, de certeza. Não me esqueço de uma cara. Era capaz, oh se era. Perguntava-lhe, então entregou o lenço à mulher? Logo vias a cara dela.
 
Acabei de almoçar, saí do restaurante e as duas velhas da mesa pegada à minha continuaram a afiar a língua. Num destes dias ainda se aleijam.

sábado, 13 de dezembro de 2014

A vida é bela (74)


... na espuma de uma onda.

Eu é que agradeço…


…ao Xirle. Pelo interesse, pela partilha, pela qualidade, pela elevação.

O computador


Ao fim vários dias hospitalizado, o computador teve alta. Regressou a casa. Parecia feliz e aparentava ter recuperado a energia. Foi sol de pouca dura. Aliás, nem sol chegou a ser já que só foi posto à prova durante uma escassa hora e em período noturno. Hoje voltou a queixar-se. Terá que voltar à consulta.  Por mal dos meus pecados…

domingo, 7 de dezembro de 2014

Passeio de domingo (224)

 

 
Depois de um almoço em esplanada, junto ao mar, uma breve passeata pela arriba, em Armação de Pêra.
 
 
 
 

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

O sapo


Há um sapo muito feio que vive há dias na piscina vazia. A chuva deixou ali um resto de água suja em que por vezes ele se lança, mergulha e volta a tona. Na maior parte do tempo está na parte seca da piscina. Imóvel. Em espera.
É um sapo muito feio e acho que espera por alguma princesa que o venha desencantar. Espera e sonha. Tenho a certeza.


 

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Há notícias bonitas de ler

Como esta.

Aditamento (a propósito de xurdir)

A propósito do post sobre a palavra do ano, só hoje li sobre como ela surge nesta votação.
E até tem movimento de apoio no facebook.

Imagem d'escrita


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Há um detalhe neste Imagem d’escrita de que ainda não falei aqui. É que este livro de poesia de Roberto Leandro tem fotografia de outros quatro autores mas poderá ter fotografia de cinco. Alguns dos poemas ainda não têm imagem, porque aguardam pela imagem do seu leitor. Cada leitor poderá ser o quinto autor de fotografia, personalizando o seu exemplar e tornando-o único.  

E se isto não é uma boa ideia para presentes de Natal , não sei, não…

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Pinta-amores (26)

 
 

Cá está novamente em ação o meu simpático correspondente do norte. O Jorge, do blogue Pessanga, brindou-me com um novo “pinta-amor”. Este é destinado a uma princesa que, provavelmente vive no Porto já que o seu apaixonado se declarou numa rua entre o Palácio de Cristal e o Convento de Monchique. Como refere o Jorge, este convento não deixa de nos lembrar outros amores, os de Simão e Teresa que viveram sob a pena de Camilo.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Palavra do ano


Está em votação a escolha da palavra do ano. Olho para as dez palavras finalistas e constato a minha ignorância. Não conhecia a palavra xurdir. Mas gostei de a conhecer. Votei nela.

Manicure


Confesso que não sou dada a grandes cuidados estéticos e que a manicure não é o meu forte. Raramente uso verniz. Nunca fiz unhas de gel. Ora praticamente todas as minhas colegas de trabalho ostentam unhas super tratadas e muito pintadas. Com isso já andava eu a sentir-me embaraçada. Diferente. Pouco arranjada. Até que num destes dias, numa reunião de trabalho no exterior, em cerca de doze mulheres presentes, nem uma tinha unhas de gel. Nem uma tinha verniz de cor. Finalmente senti-me in.

domingo, 30 de novembro de 2014

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Emoções

À minha frente, duas mulheres cumprimentam-se. Percebo que não se vêem há muito tempo. Percebo-o pela luz que emana dos seus sorrisos e quase me cega.

As plantas


E agora? O que é que os meus amigos vegetarianos vão comer?

domingo, 23 de novembro de 2014